Entrevistas

Edite
Duque

Fundadora
Wilkens / Portugal

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Porque é que escolheu a publicidade como vida profissional?

Na realidade não escolhi a carreira de publicitária. Foi mesmo a publicidade que me escolheu, adotou, formou e permitiu uma vida profissional cheia, interessante, longa e bem sucedida. Estávamos no ano de 1974 quando mudei de vida e entrei para a publicidade no momento em que a sociedade se agitava colocando tudo em causa. A publicidade era uma das profissões pior cotadas pela sua ligação directa ao consumo, no momento da grande agitação pela igualdade social.

Foi interessante e desde logo um teste ao posicionamento pessoal num momento de lutas “proletárias” que chegaram à publicidade, um meio intelectualizado, estimulador do consumo e muito bem remunerado.

Como vê a evolução do papel da mulher na publicidade em Portugal? Como era quando chegou, como sente que é hoje em dia?

Se há assunto que me desconcerte é esse da diferença de oportunidades, salário e poder decisório das mulheres em publicidade. Na minha opinião isso não existia. Hoje não sei mas penso que também não existirá. A actividade é igualitária em função de talento e competência.

Em todos os departamentos, do topo às bases, haviam mulheres com maior ou menor sucesso conforme a resposta profissional que davam.  Tal como os homens. Fui e sou contra quotas. Mulheres e os homens competentes não necessitam de quotas.

Sente que os novos meios transformaram a publicidade? A criatividade perdeu ou ganhou com os novos formatos digitais que oferecem, por exemplo, uma personalização sem precedentes da mensagem?

Os novos meios seguramente transformaram a publicidade tal como a sociedade está transformada pelas novas tecnologias. Não estou a par do impacto criativo e sua eficácia nos meios digitais que, sem serem procurados, abordam directamente destinatários e não destinatários com todo o tipo de mensagens. Haverá seguramente perdas grandes em atingir o alvo escolhido. Assim massifica-se a cobertura e vai a todos. É só uma percepção.

O que gostava de sentir nas mensagens publicitárias de amanhã?

Gostava que a mensagem voltasse a argumentar de forma mais cuidada e surpreendente, seduzindo um consumidor cada vez interessado exclusivamente no preço. Gostava de ver subir a sofisticação dos argumentos na publicidade dado que a comunicação social em geral vai baixando o nível.

Como gostava de ver a mulher publicitária daqui para a frente?

Gostava de ver a mulher publicitária, agora e no futuro, competente e independente, sem recorrer ao estribilho igualitário que não marca diferenças, tal como a publicidade sabe buscar os posicionamentos distintos. Ser mulher genuína, sem imaginar concorrências, vencendo por competência. Sabendo estar na publicidade, a melhor profissão para trabalho de equipa. Sabendo que a diferença de género acrescenta sempre criatividade.